sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A MEDICINA  CURA?

O termo "cura", conotado à Medicina, não tem expressão prática que lhe autentique credibilidade. Ou seja, "curar" em medicina aplica-se na maior parte dos casos ao espectro vastíssimo das doenças infecto-contagiosas e/ou aos procedimentos cirúrgicos tecnologicamente cada vez mais aperfeiçoados.  Não quer dizer que a medicina seja desimportante ou não ajude, ao contrário. Mas ela não é a Saúde: são dois conceitos que colam um no outro e a separação só ocorre ao concebermos a instituição-Medicina como forma social que precede e condiciona as práticas clínicas e/ou cirúrgicas. Desse modo, a medicina que cura pode (ou deveria) ser substituída por uma sociedade "sem cura" pois isso já é a própria cura implicada como condição de vida das populações: educação, saneamento básico, trabalho, salários, gestão competente da coisa pública, habitação, segurança, etc. Outra ética! Neste sentido, o nosso país tem, hoje, as condições políticas adequadas (a quadrilha do poder) para desenvolver mais e mais uma medicina de sintomas (pretensamente curativa) afinada ao paradigma mercantilista (lucrativo) do capital privado. O SUS passa então (ou passou?) a ser o belo sonho de uma noite de verão vivendo o dia-a-dia como o pesadelo que não cessa.

A.M.

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