sábado, 5 de agosto de 2017

A LOUCURA DO MUNDO

Para novas práticas em saúde mental, é preciso saber (e dizer) que a subjetividade deslocou-se do eu e do cérebro para o desejo e o social. Do lado do desejo, são afetos de toda ordem que fazem a consistência do viver. Quanto ao social, máquinas técnicas aceleram o tempo, submetendo as antigas crenças do humanismo cristão a uma devassa dos ideais de verdade. É neste ponto de anti-mutação (pois tudo muda sem mudar - terrível paradoxo) que a subjetividade sofre o estilhaçamento das imagens (em maior ou menor grau), mas sempre imagens e seus efeitos corrosivos sobre a carne. Daí, não havendo mais carne ( a era do virtual) nem um eu que organize o caos subjetivo e suporte o turbilhão do mundo, resta a psicose como referência clínica em saúde mental. O aniquilamento do sentido da existência se traduz então nas práticas cada vez mais comuns de autoflagelação e suicídio, mesmo e principalmente entre os jovens. Confira as notícias midiáticas, os prontuários dos pacientes, ou apenas olhe em torno.

A.M.

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