segunda-feira, 3 de julho de 2017

TERRA EM TRANSE

Aquilo que parecia um delírio vanguardista em 1967 virou a realidade brasileira atual. “Terra em Transe”, o terceiro longa-metragem de Glauber Rocha, revelou-se premonitório: o Brasil de hoje é uma terra em transe real. Como no drama do diretor baiano, as instituições se convulsionam: políticos de todos os partidos, juízes, promotores e empresários se acusam entre si. Gritam meias-verdades – rebatizadas de “pós-verdades” – em nome de um “povo” que ignoram. Como se não bastasse, as esquerdas não chegam a um acordo sobre como derrubar um governo que consideram “golpista”. Tanto no velho filme como no Brasil de agora, os cidadãos acordam para um pesadelo cotidiano onde não veem saída nos políticos, envolvidos em retórica lunática. Nos festejos dos 50 anos de “Terra em Transe”, a ficção prefigura a realidade. Situação que faz jus ao excêntrico Glauber, que sonhava em fazer do Brasil uma potência econômica e cultural, nem que para isso fosse preciso atrair políticos para viabilizar projetos. É dele a frase: “A História é feita pelo povo e escrita pelo poder” — com a ajuda dos intelectuais, pode-se acrescentar.
(...)

Luis Antonio Giron, Isto É, 30/06/2017, 18:00 hs

Nenhum comentário:

Postar um comentário