sexta-feira, 14 de julho de 2017

LIU XIAOBO CONTRA O ESTADO


"É preciso acreditar nas testemunhas dispostas a morrer”, dizia Pascal. Liu Xiaobo, prêmio Nobel da Paz, autor, crítico literário, pensador e dissidente chinês, foi uma delas. Na quinta-feira, a Prefeitura de Shenyang, cidade onde ele estava internado em um hospital, anunciou a morte aos 61 anos do dissidente que bradou mais alto e mais claro do que todos pela democracia para a China. O câncer de fígado diagnosticado tarde, muito tarde, no presídio onde cumpria 11 anos de prisão por “subversão” o venceu. A cadeira vazia que o representou na cerimônia de entrega do prêmio pacifista em Oslo, em 2010, manterá seu espaço para sempre.

Resta a dúvida se o tumor não foi descoberto a tempo pelas condições médicas ruins generalizadas nas prisões chinesas ou se tratou, como suspeitam alguns dissidentes e defensores dos direitos humanos, de uma negligência voluntária para se livrar do homem que em seu julgamento em 2009 declarou “não tenho inimigos e ódio”, mas que Pequim considerava como seu principal adversário político interno.

Seja resultado voluntário ou involuntário, com sua morte o Governo chinês se livra para sempre de uma voz que, de outra forma, em três anos teria ficado livre. Uma figura com a altura moral do Dalai Lama e a birmanesa Aung San Suu Kyi em seus anos de prisão domiciliar. Uma figura que, direta ou indiretamente, teria servido de referência para os que se opõem ao mandato do partido único, o Comunista.
(...)

Macarena Vital Liy, El País, Pequim, 13/07/2017, 14:58 hs

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