quinta-feira, 13 de julho de 2017

LIMITES 

Partimos de um exemplo clínico; o paciente delirante dito esquizofrênico: ele é tomado pelo delírio, torna-se o próprio delírio vivenciado com um matiz afetivo místico, ou grandiloqüente, ou cósmico, etc. Ele não sofre por isso, não quer ver psiquiatra na sua frente, não se acha doente, ao contrário, quer apenas pregar a sua verdade, transformá-la em ação,  Ou talvez não. Talvez prefira guardá-la, tão preciosa que é, para si mesmo, a qual é evocada nos momentos mais solitários e intensos. Ora, o modelo biomédico da psiquiatria (a busca das sinapses espertas, o cérebro reificado, a neuromania) encontra aí o seu limite terapêutico mais constrangedor.

A.M.

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