domingo, 9 de julho de 2017

À DIREITA DA DIREITA

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Há quem diga que Bolsonaro nunca ganhará as eleições porque as mulheres, que são maioria no eleitorado brasileiro, nunca votariam nele devido às suas ideias não apenas conservadoras como até mesmo perigosas e desrespeitosas em relação ao mundo feminino. O mesmo foi dito sobre Trump e ainda assim votaram nele.

É conhecido o machismo e o quase desprezo de Bolsonaro pela mulher, que diz que “deve ganhar menos do que o homem porque fica grávida”. E comentando sobre sua família, disse: “Tenho cinco filhos. Quatro são do sexo masculino. Depois dei uma relaxada e veio uma mulher”. Suas ideias perigosas sobre o estupro e os gays e lésbicas são mais do que conhecidas e reprováveis.

Nisso ele chega a superar Trump, apesar da vulgaridade com que o novo presidente norte-americano sempre tratou as mulheres, vistas mais como objeto sexual do que como pessoas. Talvez Trump seja até mais grosseiro com o mundo feminino, mas Bolsonaro é ideologicamente mais perigoso em matéria de sexo.

Dizem que Trump é amante da guerra e violento. Bolsonaro, se chegar à presidência, não seria uma ameaça militar, pois o Brasil não precisará declarar guerra a ninguém. No entanto, poderia representar um perigo ainda maior dadas as suas ideias sobre a violência. O ex-paraquedista defende a tortura e a pena de morte. “Eu sei matar”, disse dias atrás ao lembrar que, como ex-militar, sabe usar todas as armas. Chegou a elogiar, em seu voto a favor do impeachment de Dilma, o militar que a havia torturado na prisão.

Enquanto Trump e Bolsonaro se declaram “crentes”, o candidato brasileiro que acaba, dizem, de se tornar evangélico, é muito mais radical do que Trump na defesa de um estado confessional. Bolsonaro é contra a laicidade do Estado e a favor da imposição de um poder religioso no Brasil. “Deus está acima de tudo. Não existe, no Brasil, isso de Estado laico. O Estado é cristão e a minoria que é contra que se retire. A minoria deve se curvar à maioria”, disse no Congresso.

O Brasil está vivendo um momento crucial e perigoso, com uma sociedade dividida e em conflito. Se o país precisa de alguém para presidi-lo, é de um “pacificador”, não de um guerreiro com pretensões de violência e ideias medievais em matéria e costumes e direitos humanos.

O Brasil precisa de um estadista moderno, progressista ou conservador, mas capaz de reunificar o país e harmonizar as diferenças, capaz de unir as melhores forças da nação para um novo renascimento político e moral depois do cemitério de escombros que a corrupção político-empresarial está deixando.

Para conduzi-lo, o Brasil precisa, no jogo de xadrez mundial, de alguém que possa se colocar como fator de civilização e de contrapeso à propagação de ideias perigosamente atrasadas e violentas que hoje ameaçam a harmonia mundial.

Juan Arias, 07/07/2017, 07:11 hs

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