terça-feira, 11 de julho de 2017

A COMPLEXIDADE DO ÓBVIO

O voto do relator Sérgio Zveiter na Comissão de Constituição e Justiça foi constrangedor para Michel Temer e desafiador para a Câmara. Zveiter constrangeu o presidente porque, mesmo sendo do PMDB, votou a favor da aceitação da denúncia em que Temer é acusado de corrupção. O relator desafiou a Câmara porque mostrou aos deputados que não há outra alternativa senão autorizar o Supremo Tribunal Federal a se debruçar sobre a denúncia.

O relator reconstituiu em seu voto os termos da acusação: o encontro do presidente com o delator Joesley Batista na noite do Jaburu, a conversa desqualificada, a indicação de um preposto, a filmagem desse preposto recebendo propina de R$ 500 mil… E a defesa de Temer reiterou que tudo não passa de ficção. O principal mérito do voto do relator foi o escancaramento do óbvio.

Sim, Sergio Zveiter disse obviedades. Mostrou que há uma denúncia contra o presidente. Os indícios de corrupção são fortes. A sociedade tem o direito de saber se a acusação procede. Para que isso ocorra, a Câmara precisa autorizar o Supremo a julgar a consistência jurídica da denúncia. A defesa de Temer, por sua vez, pede que a Câmara esbarre no óbvio, tropece no óbvio e feche os olhos, mandando o óbvio, junto com o interesse público, às favas.

Do Blog do Josias de Souza, 10/07/2017, 10:11 hs

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