quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

CURSOS E DISCURSOS
(...)
Eu seria incapaz de listar todos os cursos universitários absolutamente ridículos existentes no Brasil. Por exemplo: um amigo fazia a faculdade de quiropraxia numa instituição paulista. Para quem não sabe, a quiropraxia é um tipo de massagem/manipulação do corpo, com ajustes nas articulações. Como paciente, já fui estalado várias vezes. O quiroprático estalava minhas vértebras e braços. Há manuscritos chineses de 2700 a.C. que se referem à manipulação articular. Tive um quiroprático velhinho, de origem nipônica, excelente. Nunca fez faculdade. Para que transformar em curso universitário? Óbvio, para depois regulamentar. Criar uma reserva de mercado. Expulsar dela todos os velhinhos orientais e botar na roda jovens universitários. Seria no máximo um curso de extensão para quem fez educação física. Mas daqui a pouco vão exigir diploma. Quem lucra? As universidades.

Está na hora de fazer o contrário. De tirar a exigência de formação universitária para tantos cursos que poderiam ser técnicos. A formação profissional custaria menos, as pessoas entrariam no mercado de trabalho mais depressa. Mas não, só inventam novos cursos. E criam-se nichos e nichos. Estou com medo. Minha avó fazia um maravilhoso pudim com queijo parmesão. Qualquer dia desses dou a receita nas redes sociais. Serei processado por não ter faculdade de gastronomia?

Walcir Carrasco, Época, 21/02/2017, 16:57 hs


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

AO TEMPO

Tempo, vais para trás ou para diante?
O passado carrega a minha vida
Para trás e eu de mim fiquei distante,

Ou existir é uma contínua ida
E eu me persigo nunca me alcançando?
A hora da despedida é a da partida

A um tempo aproximando e distanciando...
Sem saber de onde vens e aonde irás,
Andando andando andando andando andando

Tempo, vais para diante ou para trás?


Dante Milano

NÃO HÁ VAGAS


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sou um pobre nato e, repito, um pobre vocacional. Ainda hoje o luxo, a ostentação, a jóia, me confundem e me ofendem.

Nelson Rodrigues

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O  QUE  É  PENSAR
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No sentido de resistir à poderosa imagem de um progresso arborescente, onde a Ciência é colocada como tronco, eu gostaria de referir-me a outra ideia de Gilles Deleuze: a necessidade de "pensar pelo meio". Isso significa pensar sem ter como referência um fundamento ou objetivo ideal, e também não separar as coisas do meio que elas necessitam para existir. Em termos de meios científicos e suas demandas, está claro que nem tudo opera de acordo com os mesmos, ou seja, nem tudo vai aceitar o papel associado a criação científica, o papel de pôr à prova a forma em que ele é representado.
(...)
Isabelle Stengers, Revista e-flux, julho/2012

A TERRA É PLANA?


GEOFILOSOFIA

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O professor Challenger, aquele que fez a Terra berrar como uma máquina dolorífera, nas condições descritas por Conan Doyle, depois de misturar vários manuais de geologia e biologia, segundo seu humor simiesco, fez conferência. Explicou que a Terra — a Desterritorializada, a Glaciária, a Molécula gigante — era um corpo sem órgãos. Esse corpo sem órgãos era atravessado por matérias instáveis não-formadas, fluxos em todos os sentidos, intensidades livres ou singularidades nômades, partículas loucas ou transitórias.
(...)
G. Deleuze e F. Guattari in Mil platôs, vol 1

AUGUST MACKE


domingo, 19 de fevereiro de 2017

NON SENSE POLÍTICO

Em entrevista à AFP, Dilma Rousseff tranquilizou seus críticos: “Eu não serei candidata a presidente da República.” Deixou entreabertas outras portas: “Eu não afasto a possibilidade de eu me candidatar para esse tipo de cargo: senadora, deputada, esses cargos.”

Ai, ai, ai… Por que Senado ou Câmara? Não faz sentido! Se Lula diz que sua supergerente sofreu um golpe, se o PT sustenta que Dilma na Presidência seria a condição para o Brasil ser feliz, por que aprisionar a felicidade no Legislativo? O petismo não tem o direito de sacrificar o interesse maior da nação.

Qualquer coisa diferente da candidatura presidencial de Dilma soaria como uma admissão de que algo deu errado. E Dilma, como se sabe, deu certo. Só não foi mais longe porque os golpistas não deixaram. Dêem mais quatro anos para essa mulher e ela mostrará o que é sucesso. Dêem mais oito anos e aí sim todos verão o que é prosperidade. Lula não pode privar o Brasil de votar de novo na perfeição.

O PT já não dispõe de João Santana, engolfado pela lama da Lava Jato. Mas a plataforma de Dilma dispensa marqueteiros. Está pronta. Basta que a candidata trombeteie o seu legado de leniência com a corrupção, ruína fiscal e desemprego. Com tantos dedos nos olhos, o eleitor ficará cego. E pode apertar a tecla de Dilma na urna eletrônica.

Blog do Josias de Souza, 19/02/2015, 03:25 hs
UM RIZOMA

Tudo se conecta com tudo. A lei do acaso absoluto. Baralho de cartas: a sorte. Mesmo o minúsculo grão de realidade, eis a sombra dos valores perdidos, a melancolia alegre. É tudo menos um. Contradições para rir. Este é o método: ser possível "pensar". Dá trabalho, exige sensibilidades abertas,  morrer também. Então, o caos se apresenta como destruição do eu e das formas sociais estáveis. Em todo o campo social, a qualquer hora, sem garantias de verdade, o caminho torna-se o descaminho, a certeza a incerteza, o território a Terra. O que resta é o que faz viver.

A.M.

ORQUÍDEAS ETERNAS


SERVIÇO DE CELA

Os aposentos de Sérgio Cabral, a cela G de Bangu 8, tem a faxina feita por um outro preso a quem o ex-governador paga R$ 15 por dia pelo serviço.

Do Blog "Lauro jardim", 19/02/2017, 06:26 hs
SONETO BLOCADO

Dizer não tudo, que isso não se faz,
nem nada, o que seria impossível;
dizer apenas tudo que é demais
pra se calar e menos que indizível.
Dizer apenas o que não dizer
seria uma espécie de mentira:
falar, não por falar, mas pra viver,
falar (ou escrever) como quem respira.
Dizer apenas o que não repita
a textura do mundo esvaziado:
escrever, sim, mas escrever com tinta;
pintar, mas não como aquele que pinta
de branco o muro que já foi caiado;
escrever, sim, mas como quem grafita.


Paulo Henriques Britto

sábado, 18 de fevereiro de 2017

MÁQUINAS DE MÁQUINAS
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O esquizofrênico situa-se no limite do capitalismo: é a tendência desenvolvida deste, o sobreproduto, o proletário e o anjo exterminador. Ele mistura todos os códigos, é o portador dos fluxos descodificados do desejo. O real flui. Os dois aspectos do processo se juntam: o processo metafísico que nos põe em contato com o “demoníaco” na natureza ou no seio da terra, e o processo histórico da produção social que restitui às máquinas desejantes uma autonomia em relação à máquina social desterritorializada. A esquizofrenia é a produção desejante como limite da produção social. A produção desejante e sua diferença de regime em relação à produção social estão, pois, no fim e não no começo. De uma à outra há tão só um devir, que é o devir da realidade. E se a psiquiatria materialista se define pela introdução do conceito de produção no desejo, ela não tem como evitar estabelecer em termos escatológicos o problema da relação final entre a máquina analítica, a máquina revolucionária e as máquinas desejantes.
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G. Deleuze e F. Guattari in O anti-édipo

NÓS, OS TERRÁQUEOS...