quinta-feira, 25 de maio de 2017

FAKE

O ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, publicou nesta quarta-feira, diversas imagens dos ataques aos ministérios, em Brasília, em seu Twitter e criticou a ação dos grupos que depredaram os prédios. No entanto, uma das imagens publicadas pelo ministro, em que é possível ver um prédio em chamas, não é da Esplanada dos Ministérios.

A foto divulgada pelo ministro é facilmente encontrada na internet. Ela se refere, na verdade, a um incêndio ocorrido em 2005, no prédio no INSS. O incêndio destruiu parte de um prédio da Previdência Social em Brasília, no Setor de Autarquias Sul, a poucos metros da Esplanada dos Ministérios.
(...)

Gabriela Viana, O Globo, 24/05/2017, 18:17 hs

TODAS AS LOUCURAS SÃO INOCENTES


segunda-feira, 22 de maio de 2017

TEMAS EM PSICOPATOLOGIA CLÍNICA - 4

Em saúde mental, para haver encontros que criem e não reproduzam universos estáveis, é preciso haver intercessores. Estes podem ser qualquer coisa, e são o que nos força a pensar. No caso da clínica, o que  força a pensar é  o  delírio não medicalizado que tem na esquizofrenia a sua expressão acabada. Assim, para um bom encontro com o paciente, a loucura-em-nós torna-se um exercício de sensibilidade: uma  ética. Busca aumentar a potência de viver. Por outro lado, ela não existe fora das linhas de força que compreendem relações de poder. Tais relações compõem a trama das instituições que manipulam e/ou esmagam a produção desejante.Toda ética é uma política,ou mais precisamente, uma micropolítica imanente às práticas de vida. Isso não costuma se mostrar ao olhar psiquiatrizado ou psicologizado. É que o olho psi é um olho homogeneizado e homogeneizador: um olho "gordo". Ele persegue a diferença em toda a parte. Olho paranóide, dispara olhares em tudo que se mexer.

A.M.

GRANDES ESCRITOS


Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender... 

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... 

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Fernando Pessoa

domingo, 21 de maio de 2017

A SÍNDROME DO QUASE (*)

Antigamente, o Brasil era um país de corruptos sem corruptores. Hoje, com o advento da delação premiada, virou uma nação de corruptores sem corruptos. Roçando as grades de Curitiba, Lula não sabia de nada. Recém-chegada ao pântano, Dilma continua estalando de pureza moral. Com a reputação reduzida à soma de palavrões que inspira nos botecos, Aécio é a virtude que terceirizou o xadrez à irmã. Ao jurar que não fez nada, Temer tornou-se um revolucionário do léxico, provando que nada é uma palavra que ultrapassa tudo.

Tanta inocência eliminou até o benefício da dúvida. Aos olhos da opinião pública, os políticos agora são culpados até prova em contrário. Se perdem o mandato e o foro privilegiado, como Eduardo Cunha, vão em cana como prova em contrário. Desde março de 2014, quando a Operação Lava Jato começou, a banda dinheirista da política cultiva a ilusão de que a sangria será estancada. Para o bem da nação, deu-se o oposto. A política virou uma atividade hemorrágica.

A má notícia é que o sistema político morreu. O comportamento de risco e a tendência à autodesmoralização levaram o modelo ao suicídio. A boa notícia é que a morte pode ser um enorme despertar. Num instante em que a faxina invade os salões do Palácio do Jaburu, fica claro que o país necessita de um movimento que acabe com o suborno, o acobertamento, o compadrio, o patrimonialismo… Em suma, precisa-se de uma articulação qualquer que acabe com os valores mais tradicionais da política brasileira.

O primeiro passo é eliminar dos costumes nacionais a praga do quase. A higienização quase foi alcançada quando as ruas escorraçaram Collor do poder. A assepsia quase foi obtida quando cassaram-se os mandatos de meia dúzia de anões do Orçamento. A purificação quase chegou quando o Supremo Tribunal Federal mandou para a cadeia a turma do mensalão. Temer é uma evidência de que o impeachment de Dilma não eliminou a síndrome do quase. Chegou a hora de levar a faxina às últimas consequências.

Neste sábado, Temer discursou por 12 minutos para informar ao país que Joesley Batista, seu ex-amigo do Grupo JBS, não vale nada. Depois de limpar os cofres do BNDES nos governos Lula e Dilma, armou uma delação fraudulenta para produzir turbulência econômica capaz de lhe propiciar lucros extraordinários comprando dólares na baixa e vendendo ações na alta. Quer dizer: para Temer, Joesley é um patife. E não será a plateia que irá discutir com um especialista. Melhor passar a Presidência de Temer no detergente e seguir em frente.

A honestidade é como a gravidez. Nenhuma mulher pode estar um pouquinho grávida, como não pode haver governo um pouco honesto, com oito ministros investigados e um presidente que confraterniza com corruptos no palácio residencial. A esse ponto chegamos: o Brasil terá de cair para que Temer se mantenha no cargo de presidente. Só a desmoralização nacional salva Temer.

A velha sacada do Churchill ensina que a democracia é o pior regime possível com exceção de todos os outros. Mas no Brasil os políticos parecem eternamente engajados num esforço para implementar as alternativas piores. De erro em erro, chegou-se à cleptocracia atual. É chegada a hora de arrancar o código de barras da democracia brasileira. A entrada do processo é a saída de Temer. O limite é a Constituição. O desafio é encontrar um nome capaz de gerir um programa mínimo e zelar pelo calendário eleitoral de 2018.

Do Blog do Josias de Souza, 21/05/2017, 05:59 hs

(*) Título meu

MILTON NASCIMENTO - Um Gosto de Sol


TEMAS EM PSICOPATOLOGIA CLÍNICA - 3

Os delírios em psicopatologia costumam ser percebidos conforme o ideário positivista da ciência (psiquiatria biológica) ou do humanismo crônico das ciências humanas (psicologia e afins). Deste modo, a medicina psiquiátrica quer deletar o sintoma e a psicologia clínica quer compreendê-lo. Nem uma coisa nem outra são possíveis. Trata-se de uma falácia epistemológica disfarçada de boas intenções. Os delírios assombram as consciências vigis e vigilantes. É que eles se referem a modos de subjetivação secretados pelo mundo, e ultrapassam a divisão bem/mau em prol da construção de territórios de verdade. "Um pouco de verdade senão eu morro!" Assim, é possível "sentir-se vivo" mesmo que tudo em volta reine em decomposição. Os delírios são, portanto, "verdade verdadeira" mesmo que não sejam. Isso não importa. A sua função social está inscrita nas entranhas de um inconsciente órfão, à flor da pele, à flor do tempo, à flor do desejo e coextensivo a todas as expressões humanas. Então o eu se volatiza e o delírio o substitui. Ora, se todos deliram (e deliram!) não significa que todos estão loucos, mas que correm e se debatem numa megaloucura insubornável, assim como com a morte.

A.M.
POR VEZES 

Quando conheces alguém
mais inteligente ou mais estúpido do que tu -
não faças caso disso.
As formigas e os deuses,
acredita, sentem o mesmo.
Que exista mais gente na China,
digamos, que em San Marino,
não é uma desgraça.
A maioria das pessoas, sem dúvida, é
mais negra ou mais branca que tu.
Por vezes és um gigante,
qual Gulliver, ou um anão.
Em algum lugar ou outro estás sempre a descobrir
uma beleza ainda mais radiante,
alguém ainda pior.
És medíocre,
felizmente. Aceita-o!
Sete graus centígrados a mais
ou a menos no termómetro -
e estarias além da salvação.


Hans Magnus Enzensberger, do blog "Poesia & Lda"

sábado, 20 de maio de 2017

Um choque de realidade

Donald Trump. Aquecimento Global. Fascistas. Inflação. Bancada Ruralista. Insegurança. Pobreza. AIDS. Raios Ultravioletas. Guerras. Vírus. Superpopulação. Terremotos. Sequestros. Homens-Bomba. Crise Econômica. Falta de água. Opressão. A Situação na Venezuela. Grosserias. Espionagem. Conflitos Religiosos. Desmatamento. Poluição dos Rios. Maduro. Tráfico de Drogas. Corrupção. Goleiro Bruno. Suborno. Coreia do Norte. Milícias. Impacto de Asteróide. Terrorismo. Lixo Radioativo. Delcidio. Ufanismo. Cerceamento da Liberdade. Zica. Temaki de Coxinha. Stalkers. Chuva Radioativa. Mau-hálito. Vulcões. Sucuris. Irã. Minas Terrestres. Insônia. Alagamentos. Bancada Evangélica. Câncer. Violência. Mafia do ISS. Preço do Dolar. Ku Klux Klan. Hemorróida. Vícios. O Fim da União Européia. Impostos. Burrice. Coceira nas Costas. Militaristas. Desemprego. Al-Qaeda. Racismo. Sindicatos. Renan Calheiros. Haters. Burocracia. H1N1. Drogas. Radicais. Os Seguidores dos Radicais.
Miséria. Quebra de Bancos. 7×1. Chicungunha. Misoginia. Invasão de Aliens. Triglicérides. Baratas. Hamas. Chacinas. Horóscopo do Dia. Check-up. Ditaduras. Saúde. Armas Nucleares. Políticos Corruptos. Escorpiões. Apocalipse. Profecias. FARC. Baleia Azul. Turismo Sexual. Preço do Petróleo. Golpes Financeiros. Putin. Direita. Greve do Metrô. Solidão. PIB. Bullying nas Escolas. Hepatite C. Palocci. Fome. Bateria do Celular. Buracos no Asfalto. Parar de Fumar. Tsunamis. Assassinos. Sogra. Ministros do Temer. Legalização da Maconha. Gente que Encosta. Ansiedade. Transporte Público. Juiz Ladrão. Malucos Armados. Padres Pedófilos. Erupções Vulcânicas. Erupções Cutâneas. Curtidas no Instagram. Invasão de Zumbis. Festa da Firma. Conflitos Partidários. Mortadelas. Miopia. Cientologia. Bactérias. Rednecks. Boko Haram. Cracolândia. Petrolão. Pneu Furado. Beber Menos. Falta de Educação. Febre Amarela. Fake News. Futuro. Internet Lenta. A Seca no Nordeste. Assédio. Chulé. Fofoca. Férias. Cataclismas. Prazo de Validade. Delações Premiadas. Segunda-Feira. Prisão de Ventre. Poluição do Ar. PizzaGate. Apagão. Pirataria. Pedra no Sapato. Sushi com Cream Cheese. Vestibular. Lista do Supermercado. Estupradores. Bloqueio do Whatsapp. Antissemitismo. Desastre de Mariana. Traição. Tarifa do Ônibus. Pornografia Infantil. Taxa de Juros SELIC. Queda de Cabelo. Queimadas. Nacionalismo. Emagrecer. Tempo com a Família. Cerveja Quente. Depressão. Greve dos Correios. Tio do Pavê. Operações da Polícia Federal. Lobo Solitário. A Abóbora da Taís Araujo. Sapatênis. Uva Passa no Arroz. Café Frio. Facebook. Falta de Respeito. Trânsito Parado. Aranhas. Saneamento Básico. Bater Ponto. Farol Quebrado.
A Previdência. Topada na Quina. Ácaros. Homofóbicos. Insolação. Reforma. Pato da FIESP. As Favelas. Caspa. Filme Ruim. Tomografia. Agrotóxico. Os Morros do Rio. A Manifestação da Esquerda. A Manifestação da Direita.
O Seu Time. Enxaqueca. Colesterol. Consumação Mínima. Mutilação Genital. Condomínio. Tirania. Pecados. Taxas Bancárias. Cabelo na Sopa. Escravidão. Estado Islâmico. Mimimi. Arrastão. Dor de Ouvido. Caretice. Bala Perdida. Esquerda. Falta de Gasolina. Estética. A Volta da Pochete. Mensalão. Escravidão Sexual. Lei da Imigração. Vazamento. Sistema Fora do Ar. Prostituição Infantil. Conchavos Políticos. Xenofobia. Comida Ruim. Preço do Combustível. MST. Sedentarismo. Machismo. Dress Code. Séries de TV. A Placenta da Bela Gil. Snapchat. Banheiro Unissex. Crédito Rotativo. Temer. Animais em Extinção. Bolsonaro. Desastres Aéreos. Epidemias. Escorpiões. Propinas. Tela Azul. Coxinhas. A Cesta Básica. Pancadão no Bairro. Gente que só Fala em Doença. Greve dos Ônibus. Mancha de Suor. Picada de Cobra. Brexit. Emprego. Sergio Cabral. Mulher do Sérgio Cabral. Fila no Caixa. Neo Nazistas. Aluguel. Ratos. Piolho. Saldo Bancário. Plantas Carnívoras. Boleto. Chefe Chato. Estupro Grupal. Picadas de Insetos. Micose. Cocaína. Hemoglobina. Síria. E-Mail. Assalto na Esquina. Nepotismo. Queda das Ações.
A Questão Palestina. A tensão no Oriente Médio. Plano de Saúde. Subemprego. Desastres Naturais. Sobretaxa. IPTU. IPVA. IR. ICMS. Conta de Luz. Conta do Celular. Stress. Dor de Cabeça. Hackers. Meta para Bater. Ônibus Pegando Fogo. Os Prazos.
Com tanta coisa para a gente se preocupar e você me apronta uma dessas Temer?
Ah, faça-me o favor.

Mentor Neto, Isto É, 19/05/2017, 18:00 hs
 vou regar o deserto
 com sangue

 e chorar areia



Nicolas Behr

Cronicamente Inviável

DEIXANDO  O  BARCO

A Executiva Nacional do PSB decidiu neste sábado abandonar o governo Michel Temer. Reunido em Brasília, o partido oficializou o desembarque pouco antes de Temer fazer novo pronunciamento na TV para se defender das suspeitas de obstrução da Justiça, corrupção e organização criminosa, pelas quais é formalmente investigado no Supremo Tribunal Federal, após ter sido gravado por Joesley Batista, dono da JBS.
(...)

Felipe Frazão, Veja.com, 20/05/2017, 18:05 hs